Champagne tem nova geração de pequenos produtores

Post Image

Viticultores que sempre abasteceram as grandes maisons com uvas decidiram vinificar e vender bebida com sua marca: é o caso da Louise Brison, que faz apenas Champagne safrado

 

Embora Champagne seja uma região ligada às grandes marcas como Moët & Chandon, Mumm, Perrier Jouët, Veuve Clicquot, 90% das uvas que crescem lá são cultivadas por 19 mil pequenos produtores. E a maioria vende sua produção para as grandes casas ou cooperativas, afinal, apesar de parecer non-sense, com o valor que se paga pela uva de Champagne, lucra-se mais com a venda da fruta do que com a produção do vinho.  Mas há uma nova geração cheia de orgulho que tem agido de modo diferente e quer dar seu nome aos rótulos.

A pequena e artesanal cave Louise Brison, em Noé Les Mallets, é um excelente exemplo desse movimento. Foi fundada em 1991 por Francis Brulez, um funcionário de cooperativa que sonhava em exportar. Cursou enologia aos 38 e lançou a marca de olho no mercado exterior. Mas, como Champagne depende mais da economia mundial do que da local, levou sustos que o obrigaram a definir padrões – como produzir só vinhos safrados, marca da casa mas contrassenso na região onde as casas tradicionalmente misturam vinhos de terroirs diferentes da própria região de Champagne e de safras distintas.

Hoje, sua filha Delphine, que estudou enologia e viticultura, comanda a operação na maison. Ela passa 80% do ano no campo. Cada parcela de vinhedo é vinificada separadamente em barricas e depois a bebida fica sur lie (em contato com as borras) por cinco anos.

No Brasil, é possível provar dois rótulos da Louise Brison, ambos importados pela Belle Cave (www.bellecave.com.br) e muito gastronômicos. O Champagne Louise Brison Brut 2008 (R$ 325), um corte de Chardonnay e Pinot Noir, é elegante e traz, além da acidez característica da região, as marcas de seu passado de estágio com as leveduras – panificação fina. O L’Impertinente Rosé 2010 (R$ 336) é curioso: um safrado não safrado, uma vez que a cave decide não expor o ano no rótulo para atender a lei de que pelo menos 10% dos vinhos de Champagne não podem ser safrados. Mais rosado do que se espera de um francês (“Nós acreditamos na nossa cor”, defende Francis), na taça deve ir muito além do brinde, da entrada à sobremesa.

Escrito por

Jornalista formada pela PUC Campinas, apaixonada por Cultura, Comportamento, Enologia, Gastronomia, Beleza e Moda.